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sábado, 28 de junho de 2008

Síndrome de Peter Pan


Quem nunca foi mordido pelo o bichinho da síndrome de Peter Pan?
Isto mesmo, estou falando daquela garoto da famosa fabula que se recusava a crescer e ser adulto ter responsabilidades, que podia voar e vivia com os meninos perdidos nas arvores da fada sininho com seu pozinho mágico, que os faziam voar pensando em coisas boas, quem nunca quis ir pra terra do nunca, nunca deixar de ser criança, nunca perder o coração aventureiro e principalmente nunca ter que deixar o dever substituir o prazer de uma boa brincadeira, talvez esta fabula de Peter seja como a lendária cidade de Atlântida a eterna busca do paraíso perdido, Peter Pan e o sonho mais deseja da humaniza, e uma fulga desta realidade tão perversa na maioria das vezes a terra do nunca personifica o encanto nos tira desta vida acelerada e movida por isto que chamamos de tempo, o menino que não queria crescer sabia o que queria ali na sua terra de fantasia com suas lutas com o seu eterno vilão capitão gancho que simboliza a vida adulta lutando contra a criança perdida dentro de cada um de nos, e hoje no auge da minha vida adulta consigo entender melhor esta estória tão contada na minha infância, hoje me lembra de coisas muito importante da minha infância e na maioria delas tem pessoas que hoje não vejo mais, pelos mais diversos motivos, com isto percebo que nosso garoto da terra do nunca na verdade ele queria manter sua infância em toda sua simplicidades ele não queria que nada mudasse nem os lugares nem as pessoas na verdade ele não se preocupava em conhecer novas pessoas deste de que não precisasse perde aquela que já conhecia, eu creio que o autor deste conto não tinha medo de perder somente sua infância, mas principalmente de perder aqueles que fizeram parte dela, por isto e inevitável não ser mordido pelo bichinho que causa esta síndrome de não querer ser adulto, e responsável, muitos dirão que isto e coisas de pessoas fracas quem não tem coragem de encarar a realidade de frente, talvez eles estejam certos, talvez realmente seja covardia, mas talvez não seja, pode ser que sejamos corajosos demais para admitir que a realidade e dura para se viver sem uma terra do nunca para da uma fugidinha.
Ricardo de Souza Ângelo

Coração de estudante


Hoje quero falar de algo que esta em extinção, o coração de estudante, como diria nosso presidente Lula: Nunca na historia deste pais tiveram tantos estudante no ensino médio e em curso superior, mas esta estatísticas muitas das vezes não diz muito numa sociedade emergente como a nossa, mesmo aumentando o numero de estudante percebe-se claramente que o coração de estudante e cada vez mais raro, estou falando daqueles estudantes que sonham em mudar o mundo, aqueles que realmente acreditam em fazer a diferença, como os estudantes de décadas passadas. Hoje o estudante da pesquisa na internet do ctrl C e ctrl V, estudam não mais para mudar o meio em que vive, mas para passar em um concurso publico, não que isto seja errado, mas é que dói não ver mais estudantes que sonham em mudar o mundo.
Mudar o mundo não e uma realidade muito palpável, mas esta ilusão e extremamente necessária para ter um mundo um pouco melhor e se esta ilusão não estiver no corações de nossos estudante estará no coração de quem?
Tenho uma imagem em minha memória de um jovem estudante chinês que parou uma fila de tanques armados, movido pelo motivo de ter uma sociedade melhor, não e preciso ir longe pra termos boas lembrança como os jovens de caras pitadas, mas hoje isto tudo e desnecessário que importa e nos preparamos para o competitivo mercado de trabalho, hoje nas empresas não se tem mais amigos mas concorrentes, neste mercado cruel pessoas estão virando mercadorias com conhecimento qualificado, não posso afirmar que este meu pensamento esteja correto, mas coloco minha humilde opinião pois recuso em aceitar estudantes que só objetiva como alvo para seu diploma um bom emprego que lhe de estabilidade, diante deste mundo globalizado vejo uma juventude estudantil sem sonhos filantrópicos, e minha preocupação esta em cada vez mais termos profissionais e menos sonhadores, minha esperança esta quando me esbarro em raros estudantes que ainda sonham e isto me deixa feliz pois começo a acreditar que sempre haverá um remanescente com um verdadeiro coração de estudante.
Ricardo de Souza Ângelo

Saber dar valor


Só para não perder o hábito de questionar, acompanhe minha linha de raciocino há um tempo eu li um pensamento não sei quem o criou, que dizia mais ou menos assim:
Se você deseja saber o real valor que uma pessoa tem pra você e só imaginar o impacto que a morte desta pessoal te causaria, eu fiz o teste e constatei que realmente funciona, nos deixa mais pensativos diria até tristes ao imagina perdas de pessoas que tem tanto valor em nossas vidas, mas que no vai e vem do por do sol não percebemos, depois de algum tempo meditando em como foi importante senti que estas pessoas tinham um valor imensurável que agora eu havia percebido em imaginas sua mortes, depois de pensar assim veio em mim um pensamento que me deixo triste porque para perceber o real valor de uma pessoa eu tive que pensar em sua morte e não em sua vida, como pude pensar em seu corpo frio para senti o calor da sua existência, não deveria ser mais fácil saber o valor que umas determinadas pessoas tem para nos, baseado na sua vida, na sua convivência com conosco, não deveria ser mais fácil perceber valores em um sorriso, em uma lagrima, em momentos vividos de forma bobamente inesquecível, mas deste de então comecei a perceber os valores das pessoas pelo tempo em que elas vivem comigo.
Tempos que hoje para mim tomo uma dimensão de valor muito maior do que eu havia dado, pois não quero nunca mais ter que imagina a morte de alguém que gosto para saber seu valor ou o que seria muito pior vivenciar verdadeiramente a morte de alguém pra saber que ela era uma pessoa especial pra mim, te confesso que preferiria a minha morte até que passar por isto.
Mas graças a Deus hoje consigo perceber com mais nitidez os reais valores da vida com vida. pois descobri que não preciso da morte para da valor a vida aos que convivem comigo.
Ricardo de Souza Ângelo

sábado, 21 de junho de 2008

Amigos jamais se afastam


Dizem que o tempo cura as feridas, apaga as lembranças e afastam os amigos. Por um bom tempo eu acreditei nisto, mas hoje já não me é possível crer. As experiências dos anos me mostraram o contrário, me mostrou que certas feridas jamais cicatrizam, porque feridas feitas na alma geralmente são eternas ou feridas feita de perdas de pessoas que amamos também não se cura.
Aprendi que certas lembranças são tão resistentes e belas quanto o diamante. Outra certeza que os anos me deram é que amigos jamais se afastam com o tempo, muito pelo contrário o tempo aumenta esta união, pois com o passar dos anos e o soprar das velinhas vem com a gente uma maturidade de valores onde podemos ver com mais clareza que aqueles velhos amigos ainda são os melhores. O que mais me deixa atônito é que muitos amigos destas pessoas tão especiais passam anos ou ate décadas sem vê-los, mas basta um encontro para aquele enorme monstro chamado amizade acordar e daí parece que o tempo volta e tudo é festa. Tiram-se os trajes de homem e mulher, adultos e responsáveis e começa-se a falar como se fossem o mesmo de épocas passadas e falar de amores perdidos, de erros não perdoados, de festas inesquecíveis, de casais que todos juravam que viveriam para sempre juntos, mas que por estes fatores que não compreendemos hoje nem se falam mais. Nestes encontros é indispensável lembrar-se das músicas da moda que hoje parece tão ridícula, mas que era tão bela na época. O mais fascinante disto tudo é que isto é um sentimento universalmente humano, estas recordações não fazem distinção de raça, cor, religião ou se você mora na capital ou no interior, o saudosismo é o mesmo.
Por isto me nego a crer que amigos se afastam com o tempo ou qualquer outro motivo que venha a inventar, pois amigos de verdade são ligados através de tempos vividos juntos, tempos de alegria e tempos de dor. Logo o tempo que passamos distantes só valoriza o tempo que passamos juntos. Amigos de verdade jamais se afastam, apenas passam tempo sem estarem perto, pois amigos de verdade continuam juntos mesmo longe. Distantes talvez, separados jamais.


Ricardo de Souza Ângelo

Pensamentos vagos


Sabe aqueles coisas estranhas que passam em nossas cabeças, tipo o que seria possível se existisse uma máquina do tempo ou como seria poder voar como super-mam, hoje estou imaginando o que estava fazendo agora neste exato momenta á cinco anos ou dez, o que estava pensando difícil saber na verdade nem sei, porque estou pensando nisto agora. Têm horas que fico imaginando se houvesse universo paralelos onde eu neste momento estou vivendo meu passado sem saber que vou chegar até aqui e, mais interessante se estiver vivendo o futuro em outra dimensão enquanto escrevo isto, parece loucura, mas já penso como nossas vidas tem horas que nos da esta sensação de já ter feito a mesma coisas farias vazes, mas dentro desta minha neurose eu queria me ver a uns dez anos e ver como eu estava ansioso com tanta coisa que não era pra ficar, queria ficar frente a frente comigo e ver se ele ou eu veríamos algumas diferenças, como seria eu me aconselhando, já penso que conselhos você se daria a dez anos eu diria para aprender inglês, iria dar-me tanto conselho que eu deixaria de ser eu, mas seria muito interessante, pois teria a oportunidade de saber o que realmente mudou em mim, que valores se perderam ao longo dos anos e quais ficaram, pois quanto mais o tempo passa mais ilusório ficam nossas lembranças de quem realmente éramos ao contrario de alguns dizerem eu não preferiria ser uma metamorfose ambulante mesmo sabendo que não é uma boa opção ter aquela velha opinião formada sobre tudo, mas creio que viver mudando diariamente de pensamento é tão ruim quanto ter velhas opiniões, e meio termo e quase sempre o melhor caminho, pois tem coisas que realmente muda com o tempo, mas isto não significa que todas devem mudar, o que mais me intriga, é saber o que pode mudar ou principalmente o que não deveria mudar, ao longo da minha curta existência percebi algo que nunca muda que é o nosso olhar, nunca muda, pode pegar suas fotos mais antigas e verás que seu olhar ainda permanece o mesmo, talvez a explicação para isto esteja na famosa frase que os olhos são as janelas da alma, quem sabe nossa alma seja nossa única essência realmente imutável.


Ricardo de Souza Ângelo

Patrimônio mineiro



Para mim nosso maior patrimônio não é nenhuma cidade ou praça, igreja ou escultura, por mais linda que elas sejam.
Não tenho dúvida que nosso mais sublime patrimônio é o nosso povo, a nossa gente.
Povo humilde, de coração simples, de mente forte e sonhadores por natureza.
O que faz este povo ser tão especial, tão feliz, tão uai sô?
Dizem que Deus quando criou o Brasil fez uma pequena brincadeira conosco.
Não nos deu um litoral e para ficar mais difícil de ver o mar, criou enormes muralhas que chamamos montanhas.
Foi ai que tudo começou...
Tivemos que ser mais fortes que os demais para desbravar montanhas e criar cidades Também dizem que foram estas montanhas que nos fizeram sonhar mais alto
Porque desde meninos aprendemos a sonhar acima delas
Se é lenda ou verdade, nós nunca vamos saber, mas uma coisa eu sei,
Tiradentes, Aleijadinho, Carlos Drummond, Pelé, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Santos Dumont e tantos outros que faltaria espaço para escrever seus nomes, são verdadeiras provas que nós, mineiros, sonhamos um pouco além que os demais, por isso temos o rei do futebol e o pai da aviação.
Todos estes nomes famosos, só refletem a alma de um povo simples, hospitaleiro, que preserva o passado sem jamais deixar de olhar para o futuro.
Se São Paulo é a locomotiva do Brasil, por causa da sua economia e o Rio, o cartão postal pela sua beleza, com certeza Minas Gerais é a alma do Brasil pelo povo maravilhoso que tem.
Este é para mim nosso maior patrimônio
Você e eu temos o privilégio de sermos mineiros.

Ricardo de Souza Ângelo

Verbo amar


Amar palavra tão pequena, mas nunca foi simples...
Nunca na história esta palavra foi tão banalizada
Tão futilmente utilizada, tiraram sua beleza, seu glamour, sua essência,
Adulteraram o valor de sua pronunciação
Hoje se conjuga o verbo amar, como se diz bom dia em um sindicato, como se este verbo fosse mais um artifício de viver educadamente correto
Amar nunca foi fácil, então porque este verbo é tão utilizado nesta geração do ficar
Penso que esta geração utiliza este verbo de maneira desordenada, como uma maneira de enganar a si mesmo.
Pensando que no muito utiliza-la, seu real valor se torne realidade.
Esta geração da informação esqueceu que para conjugar o verbo amar é preciso da conjugação de outros verbos como, abnegar, renunciar, sofrer, apoiar.
Ao aprendermos viver na era da comunicação, deixamos de comunicar com o coração, Vendemos nossa humanidade para tecnologia já se fala em humanóides com inteligência artificiais, mas pensando bem já somos humanóides, pois trocamos o conhecimento pelo sentimento, amamos as coisas e usamos as pessoas.
Só queria saber onde está o verbo amar nesta sociedade órfão de paz e viúva de amor, Abrimos nossa caixa de pandora disfarçada de revoluções tecnológicas.
Pegamos o fogo de Prometeus, mas não pegamos a justiça de Atena nem o amor de Afrodite.
Hoje vivemos na superfície do verbo amar
Vivemos morrendo...
Nossa sociedade está doente de alma
Já não temos mais valores absolutos, agora tudo é relativo, tudo depende do ponto de vista.
Hoje estamos presos naquilo que chamamos de liberdade
Só queria saber quem foi que assassinou o verbo amar, em busca do amor assim como aqueles que criam guerras com a desculpa da paz.
Diante da tristeza desta raça caída o que me dá esperança é saber que o amor ainda é o centro da vida de alguns...
Não muitos, raros que teoricamente ainda conseguem conjugar o verbo AMAR.


Ricardo de Souza Ângelo

Saudades de alguém


Sabe aqueles dias que você acorda com saudade de alguém que há muito tempo você não vê nem ouve falar como ela esta.
Você acorda com uma tristeza saudosista seu coração fica apertado e seu dia é uma eterna fuga desta realidade do hoje em busca da ilusão do ontem que hoje parece tão lindo.
Nestes dias quando você fica sozinho e fecha os olhos você consegue sentir o cheiro da pessoa que você passou anos tentando esquecer, ou melhor, dizendo, fingindo que queria esquecer, você ainda sentir o gosto do beijo, e o som daquela voz que ainda repete em sua mente como trilha sonora da parte mais feliz de sua existência, atè o brilho dos olhos dela quando você dizia que a amava ainda permanece como uma fotografia em sua mente, por mais que pareça loucura você sente o calor do corpo e o contágio da risada, do modo como meche os braços e aperta os dedos, e quando por este capricho do destino que apelidamos de acaso você escuta no rádio a música que era a melodia que navegava este amor que se perdeu no mar do tempo, e ali sozinho, perguntas não feitas no passado agora parecem imprescindíveis, nestes dias você não tem ninguém pra falar, porque ninguém entenderia tamanha loucura, ou porque ninguém gosta de se comprometer que também passa por isto, mas os sentimentos são universais.
E todos, um dia já passaram ou vão passar por isto, admitindo ou não, para os covardes que não tem coragem de se expressarem lhes empresto esta crônica, mas espero que faça bom uso dela, e não tentem se enganar e procurem saber o porquê do autor ter escrito tamanha verdade, mas escuta um conselho de uma amigo, só deixam as palavras da vida, aos sentimentos há tanto tempo sufocados, só não me pergunte se isto e bom ou se isto só pioras as coisas, pois também não tenho resposta para tal dilema.
Mas termino esta crônica com uma única certeza que tudo isto já faz parte de nos e negar nunca foi uma boa solução. Mas hoje eu só queria escrever isto para ficar registrado que nossos sentimentos e nos somos um, ainda que alguns creiam que não.


Ricardo de Souza Ângelo

Estrangeiros na minha cidade



Você já se sentiu estrangeiro em sua própria cidade, bairro ou subúrbio eu sou o típico cidadão do interior daqueles de cidadezinhas onde todos se conhecem, onde o ponto de encontro e sempre a praça principal, mas hoje me sinto um estrangeiro me sinto como um cego que entra em uma casa nova, pois já não conheço, mas todos os rostos que passam sobre mim, as ruas parecem mais estreitas com os calçamentos.
Onde ficava o velho campo de rara grama nativa e abundancia de terra, agora tem uma quadra de concreto e ferro;Nem a pracinha e mais a mesma nem posso canta aquela musica do Ronivon “a praça” pois os bancos não são os mesmos, muito menos o jardim e as flores, as pessoas também mudaram as crianças de antes agora são jovens os jovens agora são adultos e os adultos velhos e os velhos eu não preciso nem dizer, isto tudo me leva a sentir estrangeiro em um lugar onde sempre vivi mesmo vendo as coisas mudando aos poucos, mas agora olhando para trás me assusto como tudo mudou, e como um estrangeiro, ando sobre e chão da minha cidade buscando vestígios de um tempo que não volta mais, os vestígios não são da velha cidade das antigas casas e lugares mas vestígios da minha infância e minha adolescência, escondidas por detrás desta fachada nova que cobriu meu recanto existencial, como peregrino em terras alheias vejo o novo com saudade do velho, vejo o hoje com lembranças do ontem, em minha mente esta gravada uma memória fotográfica de tempos e momentos como num álbum de fotos antigas, e vez ou outra eu abro este álbum que é um dos poucos vestígios que restou, o engrado e que eu também mudei, mas ainda gosto das velhas musicas, dos velhos hábitos das velhas gírias o que me alegra e que posso ser um estrangeiro e talvez ate um turista em minha própria cidade, mas o que ninguém pode mudar é que ela foi é e sempre será minha cidade.


Ricardo de Souza Ângelo

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Encontro inesperado


Sabe aqueles encontros inesperados que acontece em nossas vidas com pessoas que já foram tão importantes para nós, pessoas antes tão íntimas que se tornaram tão distantes. Em geral, estes encontros começam com sorriso de canto de boca forçado, algumas vezes não passa disso, outras vem acompanhado de um cumprimento formal, como se forcemos pessoas comuns um para o outro, mesmo sabendo que não, tem oportunidade que ate sai um dialogo bem objetivo e frio e você olha nos olhos daquela pessoa que um dia foi à razão de sua existência, e agora por petulância do destino você não conseguiu dizer o que realmente gostaria. Muitas vezes dizemos que estamos ótimos, mas na verdade queríamos dizer que ela ainda é importante pra gente, que ainda pensamos no tempo que estivemos juntos, que nos lembramos de seu aniversario mesmo que não liguemos para dar parabéns. Você não sabe se ela também pensa assim, mas quando seus olhos se encontram, você percebe que ela ainda passa a mão no cabelo quando está nervosa e que seus olhos ainda brilham ao te ver, que ela ainda é refém de sua presença, assim como você é da dela. Depois você se despede sem falar ou ouvir o que realmente queria e a única coisa que resta é uma alegria angustiante que muda seu dia com pensamentos diversos. Esse tipo de encontro machuca muito, porém deixa uma ferida gostosa de saudade de alguém que hoje você finge não ser nada, mas que sabe que é muito especial e especial demais para serem só amigos de papos longos. O que me consola é saber que se percebo tudo isso creio que ela também percebe. Na verdade, vivemos na esperança de um dia termos um encontro, onde possa ser eu e ela possa ser ela, ou que possamos ser nós, com nós mesmos.

Ricardo de Souza Ângelo

sábado, 5 de abril de 2008

Velha infancia


Em meio à correria do dia a dia às vezes nos perdemos com a crueldade do tempo, que tende a nos engolir, e esquecemos de partes importantes de nossas vidas, como a nossa infância. Acredite, existia vida antes do play station, internet, MP3, e toda esta parafernalha que achamos tão indispensáveis hoje. Dias atrás, um fato me fez relembrar a minha infância perdida: foi quando o cruel progresso camuflado de blocos de concreto cobriu o chão de terra de minha rua, ao ver a alegria nos olhos de todos aqueles que não mais iriam pisar na lama, nem no pó da terra, confesso que por alguns instantes esta alegria me atingiu, como também me atingiu um saudosismo sufocante, quando uma espécie de vídeo tape dentro de mim repassava toda minha infância de maneira tão real. Lembrei-me dos desenhos que fazia sobre a tela natural criada após a chuva que caía sobre a terra, fazendo dela matéria-prima para nossa criatividade. Me lembrei também das represas que fazíamos para deter a correnteza da chuva, dos riscos das amarelinhas, dos triângulos de biroscas, do pião furando o chão, tantas lembranças que hoje estão encobertas não só pelo concreto feito de areia e cimento, mas daquele feito pelo tempo, que insiste em apagar da nossa memória uma das partes mais felizes das nossas vidas, mas o que me conforta é saber que estas lembranças não são só minhas e sim de todos aqueles que a viveram, e quando nós nos encontrarmos teremos a certeza que nem o progresso, nem mesmo o tempo pode apagar estes momentos que foram vividos para serem eternos. Como eterno é tudo aquilo que é inesquecível.

Ricardo de Souza Ângelo

Um dia Especial


Dias vêm, dias vão, como um rio que deságua no mar e não volta mais, mas esta mesma água corrente deixa suas marcas por onde passa, deixando feridas nas margens como sinal de que um dia passou por ali, assim também em nossas vidas os dias passam de forma tão rápida que não percebemos o real valor de cada dia, de cada instante, de cada momento, de cada ferida na margem, mas tem aqueles dias que a correnteza vem mais forte como uma itsuname não só ferindo as margens, mas a rasgando dando a ela uma nova forma deixando um sinal mais que visível, mostrando-nos que algo muito forte aconteceu. Assim alguns dias de nossas vidas fogem totalmente do nosso cotidiano nos dando mais do que horas entre o nascer e o pôr do sol, estes dias são aqueles que você nunca ira esquecer, mesmo que ele não tenha uma borda vermelha no calendário ele será um dia especial, não por algum fato histórico, mas pelo simples valor dos momentos que este dia proporcionou. Às vazes estes dias se tonam especiais não pelo que você fez, nem muito menos pelo lugar em que você estava, mas se tornou especial pelo simples fato de com quem você fez e com quem você estava. Dias especiais como estes passam rápido, fazem com que as horas pareçam segundos, fazem com que o mundo se torne pequeno, mas não solitário, simples, mas jamais fútil, simples detalhes porem inesquecíveis, dias como este jamais acabam pois a memória nos faz com que sejam revividos a cada lembrança ,a cada fuga da realidade. O bom é que estas lembranças nos dão uma esperança de que cada dia será uma nova oportunidade de um dia especial, mesmo sabendo que estes dias são raros, como e raro tudo aquilo que é perfeito, sublime e encantador. Talvez dias especiais como estes nunca mais venham acontecer, mas o que realmente importa não é se vai voltar a acontecer, mas sim já ter acontecido, e é isto que faz dele um dia especial.
Ricardo de Souza Ângelo.

O que é ser especial


Estes dias me afogando na minha melancolia resolvi pensar naquelas pessoas que chamamos especiais, o que realmente faz com que elas mereçam este titulo tão sublime, o que realmente é especial? Hoje temos valores muito frágeis vemos pela tv e jornais pessoas sendo chamadas de especiais por terem sucesso no esporte, por ganharem títulos ou quebrarem recordes, outros são chamados especiais pelo nível intelectual ou cultural que adquiriram, por outro lado tem aqueles que são chamados de especiais por serem pessoas menos favorecidas.Na minha humilde opinião todos os dois lados estão errados, uma pessoa não é especial por aquilo que tem ou deixou de ter, mas por aquilo que ela é. O belo, o perfeito, o sublime esta acima do recorde, do intelecto, da falsa piedade, pois alguém só é especial quando ele mesmo acredita não ser, mas é . Nenhuma das pessoas especiais que eu conheço ganhou o prêmio Nobel de ciência, ou participou de alguma olimpíada ou algo parecido, mas são especiais pelo simples fato de serem gente como a gente; gente que ri, gente que chora, gente que diz tudo e gente que não diz nada, gente que gosta de estar perto, gente que gosta da voz, gente que faz raiva, gente que nos faz feliz, gente que gosta da gente, se você conhece este tipo de gente saiba que você também é especial por ter gente como estas ao seu lado, e espero que você, eu, todos nós sejamos gentes assim especiais pelo único mérito de ser gente. E nunca se esqueça se uma pessoa não é especial para você não quer dizer que ela não seja para alguém, porque ser especial não é ser uma unanimidade, na realidade nós só somos especiais para um número muito pequeno de pessoas, e é realmente isto que nos faz especiais para elas e elas para nós. Mas infelizmente temos a tendência de só perceber que uma pessoa é especial quando sentimos sua falta, quando vemos sua partida e lembramos como era boa sua presença, que possamos entender os valores destas pessoas na simplicidade do nosso dia a dia antes que elas partam.

Ricardo de Souza Ângelo

sábado, 12 de janeiro de 2008

Saudades

Saudade é um passado que foi bom, e que insistimos tanto em reviver através das lembranças, lembranças que deixam as noites longas, lembranças que doem, doem não porque foram ruins, mas porque foram boas e não podemos voltar atrás. Às vezes esta saudade vem em forma de musicas, lugares, fotos, que nos fazem lembrar de um tempo e de uma época em que a felicidade parecia palpável e constante no nosso dia a dia, esta mesma saudade parece nos dizer com a experiência do tempo que momentos tão simples antes vividos e que no tempo real nós nem demos conta de que éramos felizes. Ai entra o papel principal da saudade, nos machucando mostrando coisas antes não vistas. Às vezes penso que esta tal de saudade é uma maneira do tempo zombar da gente mostrando a nossa incompetência, de só valorizar e saber que algo é bom quando vira passado e o passado lembranças que não voltam. Às vezes estas saudades nos prendem em uma ilusão de que o passado é sempre melhor que o presente; exemplo mais conhecido é o caso do primeiro amor ,quando muitos não conseguem esquecer aquela pessoa tão importante da sua adolescência e sempre que lembra dela sente aquela sensação de que ainda a ama, mas o que estas pessoas não sabem é que na realidade elas sentem saudades e amor não destas pessoas em si, mas de uma época em que sua vida era vivida ao máximo sem preocupações que hoje o assola, época em que era jovem e tudo era descoberta, tudo era novo. A gente nunca esquece o primeiro amor porque ele não esta baseado em uma pessoa mas em uma geração, lugares, e momentos que a saudade insiste tanto em nos lembrar. Agora quero dizer daquela saudade que mais machuca, saudades de pessoas que estão longe ou que há muito tempo não às vemos e principalmente aquelas que nunca, mais veremos. E o que diremos daquela saudade que transforma horas em dias, dias em meses, meses em anos só por não estar perto da pessoa amada, saudade esta que nos consome através do lento ponteiro do relógio. Mas a esperança esta, que a alegria da chegada venha a matar a angústia da saudade. Antes de terminar, queria dizer que o hoje é o ontem de amanha, que virará passado, e este por sinal nos trará lembranças do hoje, que causará saudades amanha.

Ricardo de Souza Ângelo